O blog Loja Mac - um centro de informação sobre Informática e Multimédia, e dedicado particularmente ao mundo Apple. Notícias, rumores, truques e dicas, são alguns dos conteúdos que fazem o dia-a-dia deste blog.
Ainda no rescaldo da última conferência de imprensa dada há dias por Steve Jobs, o blog da LojaMac.com esteve a experimentar o iWork’08, o novo pacote de produtividade da Apple. Há dias, conhecemos as novidades relativas ao Keynote e ao Pages. Hoje, vamos falar um pouco sobre o Numbers, um novo aplicativo que promete revolucionar a forma como nos relacionamos com as folhas de cálculo.
Quando executamos o Numbers, aparece-nos, tal como no Pages e no Keynote, um assistente que nos permite escolher um dos modelos disponíveis. Esses modelos (um total de 18) encontram-se agrupados por quatro categorias:

1. Blank (”Em Branco”) - esta categoria inclui uma folha de cálculo tradicional em branco e um outro modelo com uma lista de verificação),
2. Personal (”Pessoal”) - inclui modelos relacionados com a gestão do orçamento pessoal ou familiar; modelos para a planificação de viagens, festas e outros eventos; comparação de características, preços e despesas associadas a diferentes modelos de automóveis; comparação de créditos bancários; e até um modelo especialmente dedicado à organização e gestão de uma equipa de futebol.
3. Business (”Negócios”) - nesta categoria, o utilizador pode encontrar quatro modelos ligados à actividade empresarial, como relatórios de despesas, facturas, cálculo de retorno de investimento, balanço de contas.
4. Education (”Educação”) - com apenas três modelos, promete ser uma das categorias mais usadas, já que inclui excelentes modelos relacionados com a educação. Os professores que usam Mac certamente ficarão encantados com o modelo Grade Book, que permite calcular as notas dos alunos, acompanhar a evolução das notas de uma turma e o desenvolvimento do aproveitamento de cada aluno. Por sua parte, muitos alunos saberão aproveitar e adaptar o modelo Science Lab, uma folha de acompanhamento e registo de experiências de laboratório.
Destas categorias, as que nos pareceram mais fascinantes foram as categorias pessoal e educacional. Por um lado, porque a maior dos modelos são visualmente muito atractivos; por outro lado, porque os modelos são facilmente adaptáveis ao contexto português. Já no caso dos negócios, poderão ser necessários alguns conhecimentos financeiros para adaptar os modelos, mais não seja, pelo simples facto de que a maioria dos utilizadores não estará familiarizada com os termos técnicos financeiros na língua inglesa. Nas outras áreas, apesar de os modelos também estarem em inglês, a sua tradução ou adaptação pareceu-nos bem menos complicada.
Das várias novidades que o Numbers vem trazer, uma das mais notáveis é o facto de ter uma interface de utilizador menos técnica e mais orientada para o resultado final. No mundo das folhas de cálculo, tudo costuma obedecer ao paradigma “uma-janela-com-muitas-células-dentro”. No Numbers, as diferentes tabelas de uma folha de cálculo são graficamente independentes entre si, o que significa, por exemplo, que podemos redimensionar uma coluna de uma tabela, sem que isso afecte as tabelas que se encontrem por baixo desta. Além disso, qualquer tabela pode ser redimensionada ou posicionada livremente e com facilidade a qualquer momento. É como se tivéssemos uma secretária onde colocamos várias folhas de papel: umas são tabelas, outras são gráficos, outras são imagens, títulos, formas, etc.. Tudo pode ser posicionado livremente. É uma nova forma de trabalhar com as folhas de cálculo, que muitos utilizadores certamente irão apreciar.

Quanto ao resto da interface, ela é muito semelhante ao que encontramos no Pages e no Keynote. Tal como nesses dois aplicativos, existe uma barra de formatações e alguns botões úteis na barra de ferramentas, mas é no Inspector que se encontra a maior parte da flexibilidade e do potencial do Numbers. Também à semelhança dos outros programas do iWork, há ainda um painel esquerdo, neste caso dividido em três secções:

Como se pode ver na imagem acima, a primeira secção intitula-se Sheets (”Folhas”) e consiste numa espécie de índice do documento, encontrando-se representadas as várias folhas que o compõem e, num segundo nível hierárquico, os vários objectos que se encontram presentes em cada uma (tabelas e gráficos).
A segunda secção, Styles (”Estilos”), é uma lista de estilos de formatação (com um funcionamento semelhante ao dos estilos do Pages) que podem ser aplicados à tabela seleccionada através de apenas um único clique.
A terceira secção mostra-nos, em tempo real, alguns dos cálculos mais frequentes para as células seleccionadas (soma, média, mínimo, máximo e contar). Além disso, se arrastarmos um desses valores para dentro duma célula, o Numbers insere nela, automaticamente, a respectiva fórmula. Dito de uma maneira mais simples: para calcular a soma ou a média de um qualquer conjunto de células, podemos seleccioná-las e arrastar essa função para a célula onde queremos o resultado.
Na maior parte dos programas de folhas de cálculo, como o Microsoft Excel ou o Calc do NeoOffice/OpenOffice.org, utilizamos endereços ou referências para nos referirmos a linhas, colunas ou células, quando escrevemos uma fórmula. Com o Numbers, essa abordagem continua a funcionar da mesma maneira, mas torna-se possível utilizar os nomes das tabelas, das colunas e das linhas para referenciar células.

Por um lado, isto pode simplificar o processo de escrita de fórmulas. Se os nomes forem muito longos, não desespere: depois de escrever as primeiras letras o Numbers apresenta-lhe uma lista dos nomes possíveis para o completamento automático. Por outro lado, e talvez de forma ainda mais notória, as fórmulas ficam bem mais fáceis de ler, já que as células são referenciadas através de palavras que, no fundo, exprimem o significado dos números que contêm.
Na nossa opinião, esta funcionalidade inovadora é muito prática mas, quando tanto os nomes das colunas como os das linhas são compostos por mais do que uma palavra, pode tornar-se um pouco difícil compreender o significado das fórmulas. Isto porque os nomes das linhas e colunas aparecem simplesmente justapostos, quando usados para referenciar uma célula. O utilizador experiente ultrapassará facilmente esta pequena dificuldade escolhendo nomes curtos, com apenas uma palavra, ou para as colunas ou para as linhas…
Os programas de folhas de cálculo mais comuns incluem uma funcionalidade de pré-visualização da impressão, que permite verificar se tudo está no devido lugar, pronto a imprimir. E o mais habitual é as coisas precisarem mesmo de alguns ajustes, seja no tamanho, seja na disposição dos diversos elementos gráficos, ou seja na ampliação global da folha de cálculo.

No Numbers, o modo de pré-visualização da impressão é totalmente interactivo. Com apenas um único clique num botão que se encontra no rodapé da janela, podemos entrar ou sair no modo interactivo de pré-visualização da impressão. E também com um único clique, podemos alterar a orientação da página, horizontal ou vertical. Um outro controlo presente no rodapé da janela do Numbers permite aumentar ou diminuir a escala de ampliação do documento, de modo a ajustá-lo melhor ao espaço das páginas. No caso de alguma tabela ou alguma imagem ficar dividida entre duas páginas, nada mais fácil: basta arrastar o objecto em questão para a posição desejada.
Tudo isto sem ter de entrar, sair e voltar a entrar no modo de pré-visualização. Simples e eficaz, ao bom estilo a que a Apple nos tem habituado.
O Numbers ‘08 suporta a importação e exportação em diferentes formatos, o que assegura uma compatibilidade razoável com outros programas, como o Microsoft Word ou o NeoOffice/OpenOffice.org. O Numbers pode importar e ficheiros nos formatos Excel, CSV, PDF (sob a forma de imagens) e Quicken. No que se refere às suas capacidades de exportação, o Numbers permite exportar ficheiros nos formatos Excel, PDF e CSV. Além disso, é também possível exportar para o iWeb, para publicação na Internet, à semelhança do que acontece no Pages. É de notar que o Numbers já consegue abrir os ficheiros XLSX, o formato do Microsoft Excel 2007.
Para as mentes mais criativas, podemos acrescentar que, tal como os outros dois programas do pacote iWork ‘08, o Numbers permite inserir ficheiros de imagem, PDF e até filmes no formato QuickTime…
O iWork ‘08, com o Numbers incluído, herdou da versão anterior os gráficos 3D com texturas e um aspecto impecável. E quando seleccionamos um gráfico no Numbers, a própria tabela funciona como uma espécie de legenda, mostrando não só as células que contém os valores representados no gráfico, mas também as cores que no gráfico representam cada coluna ou linha.
O Numbers, como atrás já ao de leve referimos, herdou ainda a capacidade de criar, gerir e aplicar estilos de formatação, que podem ser aplicados às tabelas num único clique. Tal como nas tabelas do Pages, é possível seleccionar individualmente cada linha de contorno para alterar as suas características (cor, espessura, etc.).
Para além disso, há algumas funcionalidades que são específicas deste programa, no que se refere à formatação de tabelas. É o caso da formatação condicional, uma ferramenta muito útil, similar à existente noutros aplicativos de folhas de cálculo.
Face a tudo quanto acima vem exposto, o nosso veredicto dificilmente poderia ser mais favorável, sobretudo quando tomamos em consideração o facto de se tratar da primeira versão duma aplicação totalmente nova. A nossa impressão geral é que o Numbers parece ter nascido já em plena fase de maturidade.
Provavelmente, o meio empresarial não será o primeiro nicho de mercado a render-se a este novo programa, mas parece-nos que também não será esse o principal alvo do Numbers. O público em geral, que procura soluções simples e eficazes para os problemas do dia-a-dia (e que não depende da compatibilidade com algumas das funções mais avançadas do Microsoft Excel) será um nicho de mercado bem mais verosímil para o Numbers.
Com a inclusão, pela primeira vez, de um programa de folhas de cálculo, o iWork ‘08 consegue finalmente colmatar a lacuna que havia sido deixada pelo já velhinho AppleWorks e, por outro lado, começa a posicionar-se como um forte concorrente ao Microsoft Office, cuja versão para Mac só deverá chegar aos consumidores no próximo ano.
Ainda assim, no caso português, o iWork ‘08 apresenta ainda, à semelhança da versão anterior, uma forte barreira à sua adopção por parte do grande público: o facto de a sua interface não estar disponível na nossa língua. Se as línguas estrangeiras não são mesmo o seu forte, talvez isto o possa intimidar um pouco. No entanto, para todos aqueles a quem não assustam línguas como o Inglês, o Francês ou o Espanhol, o iWork ‘08 é mesmo uma séria alternativa a considerar ao Microsoft Office ou a outros produtos do género.
O pacote iWork ’08, que inclui o Numbers (folhas de cálculo), o Pages (processamento de texto e paginação) e o Keynote (apresentações multimédia), é comercializado na LojaMac.com por apenas 79 euros, um preço bem mais acessível que o dos pacotes de software de escritório mais comuns.
Para além dessa licença individual, existe ainda um pacote familiar (com licença de instalação para cinco computadores no mesmo agregado familiar), que está à venda por 103 euros.
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